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Ministério realiza mutirão para a migração de rádios AM para FM no estado de São Paulo

23 de junho de 2017.

O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) realiza nesta sexta-feira (23), em São Paulo, um mutirão para migração de 36 emissoras AM para FM. No evento, serão assinados os termos aditivos de adaptação das outorgas dessas emissoras que operam no estado de São Paulo. O ministro Gilberto Kassab e a secretária de Radiodifusão, Vanda Nogueira, participam da cerimônia, que será realizada às 10h no Palácio dos Bandeirantes.

É o sexto mutirão que o MCTIC realiza no país para migração de rádios AM para FM. De um total de 1.781 emissoras AM, quase 1.500 solicitaram a migração. Nesta primeira etapa, cerca de 960 emissoras poderão operar na faixa atual de FM, de 88 FM a 108 FM. As demais candidatas terão que esperar a conclusão do processo de digitalização da TV, que vai liberar espaço para todas as rádios que desejem fazer a mudança. O objetivo do governo federal é finalizar a primeira etapa da migração ainda em 2017.

A mudança é uma reinvindicação das emissoras, que sofrem com a perda de qualidade do sinal, de audiência e de faturamento. Ao migrar sua operação para a faixa FM, as rádios também podem ser sintonizadas em dispositivos móveis, como tablets e smartphones, o que garante a continuidade e a modernização do serviço.

Clique aqui e confira a lista completa de emissoras migrantes que assinarão o termo aditivo no evento desta sexta-feira (23) em São Paulo.

Emissoras São Paulo Connectmix

 

O meio está em expansão! Todos os meses aparecem mais rádios nos dials de várias regiões brasileiras, além do aumento no investimentos no setor. O rádio continua sendo o veículo de maior penetração nos lares e veículos brasileiros.

Já falamos em post anterior sobre a importância da publicidade no rádio para registrar uma marca na mente do consumidor. Agora vamos falar um pouco do que é a migração AMs para FMs. Para quem quer entender de forma mais aprofundada o portal Tudo rádio tem uma área bem completa falando somente sobre a migração, mas aqui vai um resumão.

 

O que é a Migração das AMs?

A migração das rádios que operam na faixa AM para o espectro das FMs visa fortalecer as emissoras de rádio que hoje são prejudicadas pelo abandono do dial AM. Esse abandono é motivado pela presença de interferências na faixa AM que acabam inviabilizando a sintonia dessas estações por parte dos ouvintes. Quanto maior o centro, mais difícil é a captação. No FM essas emissoras terão uma sintonia mais fácil e uma qualidade de áudio superior. O Decreto que autoriza a migração foi assinado pela presidente da República Dilma Rousseff em 7 de novembro de 2013.

Faixa estendida

O dial FM de vários locais não comportam novas emissoras, ou pelo menos o número de estações que virão da faixa AM. Por isso será criado o dial estendido (ou faixa estendida), que vai de 76.1 MHz até 87.5 MHz (hoje as emissoras de rádio em FM utilizam canais entre 87.7 MHz até 107.9 FM). Essa faixa estendida deverá ser utilizada em grandes centros como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, entre outros, respeitando assim as condições atuais da faixa FM “convencional” (utilizada pelas FMs atualmente). Nos dials FMs não compatíveis com o número de estações AMs que pediram migração, a faixa estendida será utilizada.

Os problemas da faixa estendida

São dois problemas principais: o primeiro é a inexistência dessa faixa na maioria dos receptores que hoje são utilizados pelos ouvintes e/ou estão disponíveis no mercado. A intenção do Governo Brasileiro é incentivar a presença do FM estendido nos novos receptores que serão fabricados, sejam na linha automotiva como também em outros modelos mais básicos. Como isso leva tempo as AMs que forem para o FM estendido provavelmente continuarão operando em AM por um período com previsão máxima em aberto, isso para que a audiência se adapte com a mudança.

O segundo problema é que a liberação desses canais estendidos não é rápida. Esse espectro em FM compreende os canais 5 e 6 da TV analógica, essa que ainda não migrou totalmente para o sinal digital. A previsão de desligamento desses canais é para 2016, não sendo a primeira data dada pelo Governo (que esperava que a migração da TV fosse mais rápida).

As vantagens do dial estendido

É uma faixa ampla que será utilizada pelo “novo FM”, ampliando de forma significativa o número de estações disponíveis ao público, Outra vantagem é de que boa parte da população tem ouvido rádio através dos receptores em FM presente em aparelhos celulares, esses que já possuem a banda estendida disponível e uma simples reprogramação do rádio FM dos smartphones facilitaria o acesso ao “novo FM”. A maioria dos celulares com rádio que estão no mercado não disponibilizam recepção de rádios na faixa AM.

AM no FM “convencional”

As emissoras que operam na faixa AM e que pediram a migração para o dial FM em regiões do país com o dial menos congestionado poderão ter a sua migração efetivada de forma mais rápida. Nesse caso não haverá a necessidade de transmissão simultânea entre as faixas AM e FM durante um determinado período de tempo.

Quem pediu a migração

Segundo o Ministério das Comunicações, cerca de 80% das rádios AM em todo o Brasil fizeram o pedido durante as audiências públicas iniciadas em março de 2014. As demais, que ainda não fizeram o pedido, poderão entregar o requerimento até novembro deste ano, quando termina o prazo determinado pelo decreto sancionado pela presidente da República, Dilma Rousseff, em novembro do ano passado. A migração não é obrigatória e as rádios AM que tiverem abrangência local poderão adaptar suas outorgas para abrangência regional, aumentando assim a captação do seu sinal.

A partir de agora, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) estudará as frequências indicadas pelas emissoras para levantar a viabilidade técnica. Caso o dial da região seja considerado “carregado”, as rádios terão que esperar a abertura do chamado “dial estendido”, que ocupará os canais 5 e 6 da TV analógica (de 76 FM a 87 FM).

Conversões

As rádios que operam na faixa AM terão uma certa redução de sua área de cobertura, porém não no porte. Por exemplo: o sinal AM propaga com facilidade à longas distâncias durante o período noturno, fato que é mais incomum com o FM. Porém o rádio conta hoje com a internet para essa captação à distância (já que boa parte das estações disponibilizam seu áudio de forma on-line). A adaptação das rádios na faixa FM será conforme o porte que essas emissoras possuem no AM. Foi fechada uma tabela de conversões entre as classes existentes no AM e aquelas do FM (saiba mais sobre essas classes – clique aqui).

Lembrando que as classes determinam o porte e o contorno protegido dessas rádios.

Enquadramento Emissora de Rádio Connectmix

Custos da migração

Mudar de AM para FM representa um investimento de em média R$ 140 mil, na avaliação de Rodrigo Neves (presidente da AESP – Associação das Emissoras de Rádio e TV do Estado de São Paulo), considerando que a maioria das emissoras opera em uma potência de classe C, de até 1 KW. O valor cobre o pagamento da adaptação da outorga e os custos de modificação de estúdio, transmissor, de antena e torre. Contudo, de acordo com o presidente da AESP, a migração tornará as rádios mais competitivas.

Os valores para as novas outorgas já foram definidos e divulgados pelo Ministério das Comunicações no histórico dia 24 de novembro de 2015. Para se chegar nos números finais foram considerados vários critérios econômicos e sociais. Os indicadores que tiveram o maior peso da decisão dos valores foram: PIB [Produto Interno Bruto], IDH-R (Indicador de Desenvolvimento Humano / Renda) e IPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) de cada cidade e região das rádios AMs que solicitaram a migração. Esses dados também foram equilibrados com os portes técnicos de cada emissora migrante (classe de operação / potência), além da disponibilidade de canais em FM “convencional” (88 a 107 MHz) ou “estendido” (76 a 87 MHz), Naturalmente os valores mais altos ficaram com as emissoras de São Paulo (capital), que cobrem a área mais populosa e de maior relevância econômica no país.

Clique aqui e acesse a lista com os valores específicos da migração / Tabela de Preços.

Clique aqui para ver a tabela com os critérios para os valores / Municípios por categoria.

Simulcasting

É uma das principais dúvidas dos migrantes. O simulcating é a transmissão simultânea em AM e FM para a adaptação da audiência AM em relação à transmissão em FM. Como as emissoras do primeiro lote devem operar em FM convencional (faixa já conhecida pelo público de rádio no Brasil), o tempo de simulcasting será de 180 dias(conforme decisão divulgada em abril de 2016), atendendo assim um pedido de entidades do setor. Já as emissoras do segundo lote e que ocuparão faixas do FM estendido a previsão é de que o simulcasting dure cerca de 5 anos.

AM não será extinto

O serviço de rádios AMs continuará existindo no Brasil. As estações que não solicitaram a migração para o FM poderão continuar no ar em AM. O que será extinto é a categoria de AM local, ou seja, as estações de baixa potência. Das locais que operam em AM e não desejam ir para o FM, deverão migrar para outras categorias de operação na faixa AM (regional e nacional). Das 1781 emissoras locais que atuam na faixa AM, 1300 pediram a migração para a FM.

Importante – Quem perdeu o prazo de solicitar a migração (ocorrido em 2014) não terá oportunidade de fazer isso novamente. Vai continuar operando no espectro AM (se for de característica local, vai ser obrigada a pedir aumento para as classes regional e/ou nacional. O AM não tem previsão para ser extinto no Brasil.

São Paulo e FM estendido

Boa parte das AMs paulistas que solicitaram a migração para a faixa FM será acomodada para o chamado “FM estendido”, ou seja, a faixa de frequência entre 76.1 FM até 87.5 FM que hoje é utilizada pelos canais 5 e 6 da televisão analógica. Cerca de 30% dos canais paulistas serão acomodados no FM “convencional”, ou seja, a faixa que vai entre 88.1 FM a 107.9 FM. Destaque para as regiões de São José do Rio Preto, Barretos, Catanduva, Lins e Lorena que contarão com AMs acomodadas no FM “tradicional”. Foram 144 migrantes para o FM estendido em São Paulo de 237 estações no processo. Veja também a lista de canais para o FM convencional: clique aqui.

Necessidades de utilização do FM estendido no resto do país

Eduardo Cappia apresentou o número de canais em FM estendido que deverão ser utilizados após os estudos realizados sobre a migração e as consultas públicas. Os dados foram atualizados em 9 de novembro de 2015.

Veja a lista:

Estado / Número de estações que devem ir para o FM estendido:
Bahia / 6 canais
Ceará / 8 canais
Distrito Federal / 1 canal
Espirito Santo / 5 canais
Goiás / 9 canais
Pará / 6 canais
Paraíba / 5 canais
Pernambuco / 12 canais
Paraná / 59 canais
Santa Catarina / 52 canais
Rio de Janeiro / 22 canais
Minas Gerais / 22 canais
São Paulo / 144 canais
Rio Grande do Sul / 36 canais

 

Fontes: EMC, Tudo Rádio, Acaert

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